<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386</id><updated>2011-11-23T05:56:14.969-02:00</updated><category term='religião'/><category term='política'/><category term='ambiente'/><category term='leituras'/><category term='ciência'/><category term='música'/><category term='computação'/><category term='xadrez'/><category term='cinema'/><category term='cultura'/><category term='Amazônia'/><title type='text'>Techne-Episteme:</title><subtitle type='html'>O projeto iluminista revisto no século 21 (por Gilberto Câmara).</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-7804850454313608565</id><published>2011-11-13T12:05:00.001-02:00</published><updated>2011-11-14T00:06:26.858-02:00</updated><title type='text'>Belo Monte: um erro colossal dos ambientalistas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OMEwmruNdfk/Tr_OsXloGzI/AAAAAAAAAFY/LTzOrvoYnek/s1600/Belo-monte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-OMEwmruNdfk/Tr_OsXloGzI/AAAAAAAAAFY/LTzOrvoYnek/s320/Belo-monte.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ser contra Belo Monte é um dos maiores erros que o movimento ambientalista já cometeu no Brasil. Não que faltem precedentes, como a campanha anticientífica contra transgênicos. Mas os ambientalistas nunca perdem uma boa oportunidade para serem midiáticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As evidências que dispomos (como Balbina e Tucurui) indicam que o impacto dos grandes reservatórios na Amazônia é real, mas é localizado. Mas alguns cientistas "sinceros, mas radicais" insistem em associar Belo Monte, cujo impacto positivo na produção de energia será imediato, com possiveis impactos negativos de médio prazo que são incertos. Vejam a pérola do &lt;a href="http://www.nature.com/news/a-struggle-for-power-1.9322"&gt;texto recente publicado na Nature&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"And, increasingly, experts fear that changing patterns of rainfall    brought about by deforestation and climate change could reduce the    energy return from dams, rendering many investments obsolete." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a Nature não é a SuperInteressante, seria bom se o articulista    pudesse citar quem são os experts cujo medo é crescente. A julgar    pelo debate recente na lista do GEOMA, hipóteses como o "colapso dos    20%" ainda tem muitas incertezas e não podem servir como argumento    contra Belo Monte. Se formos adotar a visão do artigo, não será    apenas Belo Monte que poderá entrar em colapso, mas toda a matriz    energética brasileira. Desse jeito, só nos restará invadir a    Argentina e ir morar na Patagônia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campanha contra Belo Monte combina argumentos disparatados (Belo    Monte vai causar enorme desmatamento e não irá gerar muita energia)    com efeitos políticos perversos. Ao ser contra Belo Monte, o    movimento ambientalista fica contra a presidente Dilma. Quem    acompanha em detalhe a luta contra o desmatamento na Amazônia bem    sabe que a maior parte da redução é devida às ações de comando e    controle públicas ou privadas, com destaque para ações punitivas do    Ibama e da Policia Federal. Estas ações (e outras como a restrição    de crédito em municípios que mais desmatam) precisam de apoio firme    do Planalto. Sem firmeza em Brasília, a Amazonia piora muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a passo, uma conjunção de fatores reduz a força do movimento    ambientalista. Marina e o MMA se enfraqueceram. Os ruralistas foram    inteligentes em usar os pequenos agricultores do Sul e Sudeste para    justificar as ações predatórias no Norte e Centro-Oeste. Os    ambientalistas precisam de aliados, senão ficarão isolados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilma recuperou parte do prestígio perdido por Lula junto às classes    médias do Sudeste, tradicionalmente os maiores apoiadores do    ambientalismo. Ela está convicta que o Brasil precisa crescer com    energia limpa e nosso investimento em hidroeletricidade é muito    melhor que as alternativas (nuclear e termoelétricas). Ao ser contra    Belo Monte, os ambientalistas dão uma razão a mais para Dilma não    gostar deles e não tomar medidas duras de combate à devastação    ambiental. Por causa de alguns poucos mil hectares, poderemos perder    dezenas de milhares de km2 de floresta. Dilma não é Lula. Ainda não    caiu a ficha de muita gente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-7804850454313608565?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/7804850454313608565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=7804850454313608565' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7804850454313608565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7804850454313608565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2011/11/belo-monte-um-erro-colossal-dos.html' title='Belo Monte: um erro colossal dos ambientalistas'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-OMEwmruNdfk/Tr_OsXloGzI/AAAAAAAAAFY/LTzOrvoYnek/s72-c/Belo-monte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-2667540522689291651</id><published>2008-10-22T09:45:00.010-02:00</published><updated>2008-10-22T21:41:24.422-02:00</updated><title type='text'>Modernos e eternos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SP-5veWeJ-I/AAAAAAAAAC8/Oh1Ck2nadqU/s1600-h/riley_inC_.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 210px; height: 210px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SP-5veWeJ-I/AAAAAAAAAC8/Oh1Ck2nadqU/s320/riley_inC_.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260127115044333538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nesta segunda quinzena de outubro, estão no meu playlist, entre outras:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Riley-In-C/dp/B000KJTPY8/"&gt;Terry Riley, "In C",  Paul Hillier, Percurama Percussion Ensemble, Ars Nova Copenhagen&lt;/a&gt;: uma versão medieval de um clássico minimalista do final do século 20. Paul Hillier usa sua experiência de condutor de peças medievais e renascentistas (como Perotin e Machaut) para mostrar que "In C" é um clássico e como tal atemporal.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Johann-Sebastian-Bach-Suites-Violoncello/dp/B00000C2B4/"&gt;JS Bach: "6 Suites per Violoncello Solo", Pieter Wispelwey&lt;/a&gt;: numa versão personalissima, Wispelwey cria um clima intimo para as suites, num fluxo de consciencia contínuo onde a música passeia em nossa mente com naturalidade e sem pompa.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Beethoven-Complete-Piano-Sonatas/dp/B0000041DZ/"&gt;Beethoven, "Sonatas 106 (Hammerklavier), 81a ("Les Adieux"), Alfred Brendel&lt;/a&gt;: tendo vivido com muito tempo com a interpretação muscular e olímpica de Emil Gilels, ouvir a delicada musicalidade de Brendel força-nos a pensar diferente sobre a "Hammerklavier". Ela admite muito mais leituras que eu havia imaginado.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.arsnova.dk/eng/cd.html"&gt;Per Norgard, Singe der Garten (Vocal Works), Ars Nova Copenhagen&lt;/a&gt;: O excelente grupo vocal dinamarquês (que também participa da gravação de "In C" acima citada) apresenta trabalhos de Norgard que mostram o quanto a tonalidade pode ainda ser rica e inovadora. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Feldman-Piano-Orchestra-Flute-Cello/dp/B000001S2J"&gt;Morton Feldman: "Piano and Orchestra; Flute and Orchestra; Oboe and Orchestra; Cello and Orchestra",  Hans Zender, Orquestra da Radio Alemã Saarbrucken&lt;/a&gt;: os desertos sonoros de Feldman, extensões de silêncios pontuadas por sons ocasionais, sempre iguais e sempre mutantes, formam um universo à parte na música contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-2667540522689291651?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/2667540522689291651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=2667540522689291651' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/2667540522689291651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/2667540522689291651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/10/playlist-15-30-outubro-2008.html' title='Modernos e eternos'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SP-5veWeJ-I/AAAAAAAAAC8/Oh1Ck2nadqU/s72-c/riley_inC_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-6746438329482244962</id><published>2008-10-12T12:34:00.013-03:00</published><updated>2008-10-12T20:53:58.790-03:00</updated><title type='text'>Pra frente Brasil? "Linha de passe" como metáfora das urbanidades perdidas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIhYw-vRsI/AAAAAAAAACs/CaUCkr5YCP0/s1600-h/linha_de_passe_cena_06_grande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIhYw-vRsI/AAAAAAAAACs/CaUCkr5YCP0/s320/linha_de_passe_cena_06_grande.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256300424443414210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.paramountpictures.com.br/linhadepasse/index.html"&gt;Linha de Passe&lt;/a&gt; é um filme formidável com três níveis de leitura possíveis. Na epiderme, temos a luta de uma mãe da periferia de São Paulo com quatro filhos de pais diferentes e grávida de mais um relacionamento passageiro. Atores excelentes e uma fotografia cuidadosa exploram os cotidianos da empregada doméstica Cleusa, do aspirante a jogador de futebol Dario, do motoboy conquistador Dênis, do frentista ex-drogrado hoje evangélico Dinho, e do menino negro Reginaldo que busca o pai motorista de ônibus. Cinco estórias que se entrelaçam mas que apontam para caminhos distintos de resolução. Num ambiente hostil e numa sociedade discriminatória, não pode haver um final feliz com um grande abraço em família. A família continua a ser o núcleo básico de apoio, mas cada um precisa encontrar seu rumo. Numa megacidade que perdeu a solidariedade, os caminhos possíveis são todos individuais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda leitura é que os grandes atores do filme são a cidade de São Paulo e o time do Coríntians. Sem estar unidos pelos valores tradicionais, a família compartilha a paixão pelo Coríntians e peregrinação pelos espaços agressivos da cidade. Quando vemos São Paulo a partir da favela, percebemos quanto o contraste entre Itaim-Bibi e Itaim Paulista pesa nas classes pobres. Ao contrário do Rio, onde a distância entre favelas e classe-média é questão de alguns metros, São Paulo impõe um rito de passagem diário dos pobres para seus empregos no Centro. O filme utiliza habilmente as viagens de ônibus com metáfora para transformação. Ao tomar um ônibus diário para o trabalho (com horas de deslocamento), a empregada Cleusa é transportada ao mundo dos patrões, onde o preconceito contra ela e os seus está sempre presente. Quand&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIgp__-5xI/AAAAAAAAACc/4OEl5C2jGa8/s1600-h/linha_de_passe_cena_07_grande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 290px; height: 193px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIgp__-5xI/AAAAAAAAACc/4OEl5C2jGa8/s320/linha_de_passe_cena_07_grande.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256299621021312786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;o o filho de sua patroa (Bruno) convida o seu filho (Dario) para fazer parte de seu time de amigo, ele é acusado pelos amigos de "chamar o filho da empregada", que seria uma não-pessoa neste ambiente. Esta relação perversa entre a cidade e seus moradores de periferia tem seu clímax na cena em que Dario volta sozinho da festa de classe-média onde ele se sente um penetra. A luz amarela da madrugada na 9 de Julho diz tudo sobre o abandono dos que moram longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo de agressividade permantente, onde pode estar a alegria? Para Cleusa e seus filhos, está no futebol, especialmente nos jogos do Coríntians no Morumbi e no Pacaembu. Trata-se dos momentos de "carnaval paulistano", onde a periferia adquire o legítimo direito de invadir os espaços das classes média e a alta, e viver emoções mais honestas que aquelas disponíveis nos cultos evangélicos. O começo do filme, no qual uma imensa bandeira dos Gaviões da Fiel é sustentada &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIgyqgdzZI/AAAAAAAAACk/IMnWMuLDoQQ/s1600-h/linha_de_passe_cena_15_grande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 346px; height: 231px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIgyqgdzZI/AAAAAAAAACk/IMnWMuLDoQQ/s320/linha_de_passe_cena_15_grande.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256299769870798226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;pelas mãos dos torcedores, diz muito sobre o papel do futebol como referência cultural e moral. Os críticos estrangeiros, sem exceção, negligenciaram este aspectos do filme, especialmente porque não poderiam entender a importância de um evento crítico para Cleuza e seus filhos: o rebaixamento do amado Curingão para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, que de fato aconteceu no final de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui entra o terceiro nível do filme, para mim o mais interessante. Depois da utopia exagerada de "Central do Brasil", Walter Salles apresenta um quadro ao mesmo tempo sombrio e esperançoso para o Brasil das próximas décadas. Não obstante as crises com a que vivemos hoje, a trajetória do Brasil nos últimos 15 anos (desde o Plano Real) ainda nos deixa muito espaço para otimismo. O Brasil está mais solido economicamente, e seus indicadores sociais melhoraram. Mas o Brasil que eventualmente emergirá como um país minimamente decente não é aquele que minha geração pensava construir nos anos 70, com os Planos Nacionais de Desenvolvimento do governo Geisel. Aquele seria um país industrial, com grandes conglomerados urbanos. Este projeto de País resultou na Grande São Paulo de Cleuza e seus filhos, que não tiveram e não terão o suporte educacional imprescindível para se afirmar como cidadãos plenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIsFLLB13I/AAAAAAAAAC0/rToRA3Nrmqw/s1600-h/linha_de_passe_cena_02_grande.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 322px; height: 226px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIsFLLB13I/AAAAAAAAAC0/rToRA3Nrmqw/s320/linha_de_passe_cena_02_grande.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256312182504806258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O Brasil do século 21 oferece muito mais oportunidades no agronegócio dos Cerrados do que na periferia das mega-cidades. Se o motoboy Denis vivesse no Mato Grosso, será que sua disposição seria canalizada para atividades de maior futuro? O filme termina como uma obra aberta, com cada um dos filhos apontando para um caminho diferente. A cena final, com o menino Reginaldo ao fugir dirigindo um ônibus, mostra um caminho possível de aprender algo que fascina e que não temos domínio. Para onde vai Reginaldo? A resposta cabe a cada um de nós...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-6746438329482244962?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/6746438329482244962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=6746438329482244962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/6746438329482244962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/6746438329482244962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/10/pra-frente-brasil-linha-de-passe-como.html' title='Pra frente Brasil? &quot;Linha de passe&quot; como metáfora das urbanidades perdidas'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/SPIhYw-vRsI/AAAAAAAAACs/CaUCkr5YCP0/s72-c/linha_de_passe_cena_06_grande.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-7794986102700506577</id><published>2008-01-19T12:55:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T14:20:14.904-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='xadrez'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Bobby Fischer (1943-2008)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R5IhPN86hQI/AAAAAAAAACU/SeSHHOiWVUE/s1600-h/fischer_spasskyJPG.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 333px; height: 211px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R5IhPN86hQI/AAAAAAAAACU/SeSHHOiWVUE/s320/fischer_spasskyJPG.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157221068619547906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Robert James Fischer, americano, campeão do mundo de Xadrez em 1972, morreu ontem em Reikjavik, na Islândia, na idade enxadrística de 64 anos (um ano para cada casa do tabuleiro). Para o mundo, ele foi o gênio que venceu todos os jogadores da União Soviética que então dominavam o jogo de xadrez. Sua vitória final no match contra o soviético Boris Spassky foi uma alegoria da Guerra Fria. Kissinger teria interferido pessoalmente para que Fischer (que sempre teve uma personalidade instável) não desistisse depois de ser derrotado nas duas primeiras partidas (Na foto, a partida entre Spassky (à esquerda) e Fischer na match EUA-URSS na Olimpíada de Xadrez de Leipzig em 1970).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analistas do mundo inteiro louvaram sua capacidade única de antecipar a forma de jogar dos computadores. Enquanto o estilo soviético era baseado na complexidade, Fischer optava sempre pela clareza e pelo pragmatismo. Suas melhores partidas foram vitórias do início ao fim. Desde os primeiros lances da abertura, ele já previa as posições resultantes de meio-jogo e final, e manobrava sempre para trocar as peças certas, deixando no tabuleiro a estrutura que lhe garantia a vitória sem riscos de contra-ataque do adversário. Sua &lt;a href="http://www.mark-weeks.com/chess/71fp07.htm"&gt;sétima partida&lt;/a&gt; do match preliminar pelo título mundial contra o soviético-armênio Tigran Petrosian e a &lt;a href="http://www.mark-weeks.com/chess/72fs06.htm"&gt;sexta partida&lt;/a&gt; do match final contra o russo Boris Spassky são exemplos deste xadrez cristalino. Em ambas, Fischer não hesita em trocar um cavalo bem colocado por um bispo passivo do adversário. Tudo porque na posição resultante as fraquezas estruturais do adversário aumentariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fischer era muito difícil de lidar e aparentemente, sofria de personalidade auto-destrutiva. O anti-semitismo de seus últimos anos é particularmente pungente quando se sabe que era 100% judeu. Sua mãe, Regina, era uma enfermeira judia e o marido dela, de quem se separou quando ele tinha dois anos, um físico alemão. Acredita-se que seu pai biológico era Paul Nemenyi, físico judeu-húngaro que trabalhava no Projeto Manhattan (construção da primeira bomba atômica). Qual será o impacto que Fischer sofreu quando soube ser filho bastardo de um judeu que trabalhava na bomba? Nunca poderemos saber. O fato é que ele encontrou no Xadrez o veículo ideal para canalizar suas angústias, pelo menos por um período. Um jogo onde tudo é cérebro. Uma mistura de inteligência, autismo, disputa individual e angústia da perda, difícil de ser igualada em outra atividade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a morte de Fischer trouxe lembranças ao mesmo tempo agradáveis e dolorosas. Tinha 16 anos em 1972, e segui com &lt;a href="http://www.hcamara.com.br/ronald.htm"&gt;meu pai &lt;/a&gt;(um bom jogador de Xadrez que foi campeão brasileiro em 1960 e 1961) todas as emoções do encontro entre Fischer e Spassky. Lembro-me ainda do espanto com que vi como a precisão do jogo de Fischer demoliu a complexidade das idéias de Spassky.  Vivi a emoção de ver que o Xadrez, longe de ser um jogo apenas de inteligência racional, é muito mais uma luta de intuições e emoções. Aprendi muito para a vida. Fazemos apenas um lance de cada vez, e nosso adversário (a adversidade) tem o direito de existir e fazer o próximo lance. E  na maior parte das situações, é impossível planejar tudo. É preciso acreditar na nossa intuição e nossa capacidade de adaptação. O mundo é um lugar imperfeito, e o Xadrez é uma janela para uma pequena parte dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-7794986102700506577?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/7794986102700506577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=7794986102700506577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7794986102700506577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7794986102700506577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/bobby-fischer-1943-2008.html' title='Bobby Fischer (1943-2008)'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R5IhPN86hQI/AAAAAAAAACU/SeSHHOiWVUE/s72-c/fischer_spasskyJPG.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-5256378073817472694</id><published>2008-01-19T10:17:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T11:52:57.784-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O infinito negro de todos nós</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R5H2Gd86hPI/AAAAAAAAACM/pT3pBgRUABo/s1600-h/200px-Maria_Maddalena_de%27_Pazzi.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R5H2Gd86hPI/AAAAAAAAACM/pT3pBgRUABo/s320/200px-Maria_Maddalena_de%27_Pazzi.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157173639295698162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A Arte sempre nos surpreende. Ontem, tomei um choque ao ouvir pela primeira vez "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Infinito Nero&lt;/span&gt;",  ópera-êxtase em um ato do compositor contemporâneo italiano Salvatore Sciarrino. A obra é inspirada em Santa Maria Maddalena de' Pazzi, mística italiana do século XVI. Filha única de rica família florentina, Lucrecia di Pazzi começa a sentir êxtases aos 12 anos e aos 16, entra para uma das ordens mais rígidas da Igreja, as Carmelitas Descalças. Como explica o compositor, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maria Maddalena era acompanhada por oito noviças: quatro repetiam o que ela dizia em seus êxtases, pois ela falava muito rápido para que tudo fosse copiado de uma vez só, e outras quatro escreviam tudo. Ela não falava - as palavras saiam de sua boca como uma metralhadora, e depois ela ficava em silêncio por longos períodos&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em torno de um argumento intrigante, Sciarrino constrói uma música no limite do silêncio. Sopros  sugerem o sons da respiração, e uma batida de percussão mostra um coração pulsante. Um tique-taque que parece ser de efeitos eletrônicos, mas obtido por cuidadosa ação das flautas e clarinetes. De repente, emerge a metralhadora de palavras. Palavras rápidas em seqüência, audíveis mas difíceis de entender. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quase nu e muito sóbrio&lt;/span&gt;", diz o compositor. "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Somente desta maneira a música pode entrar direto em nossos corpos&lt;/span&gt;". As aparições do soprano ao meio a sons quase fantasmagóricos acentuam os efeitos deste contraste entre êxtase e silêncio. Somos levados ao interior de Maria Maddalena,  projetados num mundo interior de sombras. Assustador, ao mesmo tempo no pior e no melhor sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sciarrino mostra-se um digno herdeiro da grande tradição italiana de música vocal, feita com imensa sutileza e sensibilidade. Nos madrigais de Monteverdi e Gesualdo, os efeitos dramáticos das vozes são como as cores de Paolo Veneziano. O compositor leva ao extremo a desconstrução da voz feita por seus conterrâneos Berio ("Coro", "Sequenza para Voci") e Nono ("Como una ola de fuerza y luz") . A voz italiana tem uma força expressiva que transcende o que é feito na música do Norte da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lado racional, um recente &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462002000300011&amp;amp;script=sci_arttext"&gt;estudo&lt;/a&gt; publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria classifica Maria Maddalena di Pazzi como "santa anoréxica". Os registros indicam que ela se alimentava apenas de pão e água, e no domingo, dos restos de comida das outras monjas. Tudo para fugir às tentações de comer, trazidas pelo demônio.  Há um livro recente ("&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=uq4QZJiUbk8C&amp;amp;dq=holy+anorexia&amp;amp;pg=PP1&amp;amp;ots=gxH3eSQ5SG&amp;amp;sig=aoFwCj1dkjvz-cP30pA075XFQTA&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;prev=http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;amp;safe=off&amp;amp;client=firefox-a&amp;amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;amp;hs=fTs&amp;amp;q=Holy+anorexia&amp;amp;btnG=Pesquisar&amp;amp;sa=X&amp;amp;oi=print&amp;amp;ct=title&amp;amp;cad=one-book-with-thumbnail#PPA12,M1"&gt;Holy anorexia&lt;/a&gt;") que discute o caso de várias freiras nos séculos XIV a XVI que expressavam sua dedicação a Cristo numa mistura de dieta de fome, alucinações místicas e auto-negação. Estas místicas literalmente se puniam com a morte pela fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como reproduzir o irreproduzível? Como trazer para nossa experiência do século XXI a êxtase de uma mística anoréxica do século XVI? Como transmitir o contraste entre silêncio e êxtase? Sciarrino enfrenta este dilema com o uso dos mínimos meios e uma voz de soprano que parece sair do nada. Uma obra-prima do novo século, que mostra que a música clássica continua muito inovadora. Basta saber ouvir.  Para quem tiver mentes e ouvidos abertos, há uma excelente gravação de "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Infinito Nero&lt;/span&gt;" na &lt;a href="http://www.kairos-music.com/R/Sciarrino1.html"&gt;Kairos&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-5256378073817472694?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/5256378073817472694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=5256378073817472694' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/5256378073817472694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/5256378073817472694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/monteverdi-e-o-infinito-negro.html' title='O infinito negro de todos nós'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R5H2Gd86hPI/AAAAAAAAACM/pT3pBgRUABo/s72-c/200px-Maria_Maddalena_de%27_Pazzi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-8906185640178269807</id><published>2008-01-12T23:12:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T00:20:31.755-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Utopias perigosas: a banalidade do mal como regra universal do totalitarismo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4l1Ed86hOI/AAAAAAAAACE/dFgiMHjhu5g/s1600-h/avidadosoutros3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 213px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4l1Ed86hOI/AAAAAAAAACE/dFgiMHjhu5g/s320/avidadosoutros3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154779968122291426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fui ontem a São Paulo assistir um filme impressionante: "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Lives_of_Others"&gt;A Vida dos Outros&lt;/a&gt;". Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2006 e de muitos outros prêmios, o filme é ambientado na Alemanha Oriental, de 1984 até 1991. Conta a história de um agente da Stasi (polícia secreta do regime comunista alemão) que recebe a missão de espionar um escritor de peças de teatro e sua namorada, uma atriz de destaque, para descobrir se eles são "inimigos do regime". Ele descobre que o verdadeiro motivo de sua missão é afastar os dois, pois a atriz é desejada por um alto burocrata do governo. O agente se desilude com a missão e se humaniza lendo Brecht e ouvindo música clássica. Com isto, passa a proteger o escritor, mesmo quando descobre que ele escreve um artigo contra o regime que será publicado no Ocidente. Quando a atriz é forçada a se tornar informante do regime e trai o companheiro, o agente remove as provas que incriminariam o escritor. O final do filme se passa nos dias de hoje, após a queda do Muro e a reunificação. O escritor descobre que foi protegido por um agente da Stasi, e dedica a ele um livro: "A balada de um homem bom".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é soberbamente encenado, com excelentes atores (em especial, Ulrich Muhe, que faz o agente Gerd Wiesler). A trama é envolvente, e o final é confortável para o público. Quem não gosta de ver um novo Schindler? Nossa moral judaico-cristã valoriza ao extremo o arrependimento do pecador. Uma vida de maldades pode ser resgatada com uma boa ação. Só tem um problema: não houve Schindlers na Stasi. O filme é de uma visão romanceada, sem base na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois historiadores que conhecem bem a realidade da Alemanha Oriental escreveram excelentes artigos onde comparam o filme com a realidade alemã (leia os textos de &lt;a href="http://books.guardian.co.uk/review/story/0,,2072454,00.html"&gt;Anna Funder&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.nybooks.com/articles/20210"&gt;Timothy Garton Ash&lt;/a&gt;). O argumento deles segue a lógica do totalitarismo  desvendada por Hannah Arendt: um regime opressivo pode ser organizar para que o mal seja um produto banal de todos os dias. Um sistema eficiente não permite ações individuais. Agentes da Stasi operavam sempre em conjunto, num sistema de controle mútuo. Cada um fazia uma parte do serviço, segundo normas rígidas. Num sistema onde há um grande controle social e cultural, o terror é diluído. Quando o individuo se vê como uma peça menor em uma grande engrenagem,  não tem do que se arrepender. O regime era de terror, mas o individuo apenas obedecia ordens. Não foi outro o argumento de defesa de Adolf Eichmann.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regimes totalitários são banais porque eficientes. Infelizmente, os exemplos passados e presentes da História mostram que a combinação de controle das condições materiais das pessoas e produção intelectual compromete muito a capacidade de pensar. Se este controle for combinado com uma ideologia de  fidelidade à Pátria-Mãe e uma cultura comum forte, a anestesia será quase completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mérito do filme é apresentar, para uma platéia mundial, um pouco do sistema totalitário operado pela Stasi. Como cinema, é ótimo. Mas deixa um gosto agridoce pela incapacidade de mostrar como a opressão realmente funcionava na Alemanha e outros regimes totalitários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-8906185640178269807?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/8906185640178269807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=8906185640178269807' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/8906185640178269807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/8906185640178269807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/utopias-perigosas-banalidade-do-mal.html' title='Utopias perigosas: a banalidade do mal como regra universal do totalitarismo'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4l1Ed86hOI/AAAAAAAAACE/dFgiMHjhu5g/s72-c/avidadosoutros3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-8855868018813075387</id><published>2008-01-10T22:58:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T00:21:48.742-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amazônia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ambiente'/><title type='text'>Crimes urbanos, rurais, ambientais e globais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4bFt986hLI/AAAAAAAAABs/TuIP7M59Vak/s1600-h/queimadas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 211px; height: 282px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4bFt986hLI/AAAAAAAAABs/TuIP7M59Vak/s320/queimadas.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154024217086952626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Hoje, fui entrevistado pela CBN. O assunto inicial era o novo Laboratório de Monitoramento Tropical de Florestas do INPE em Belém, a partir da &lt;a href="http://www.dpi.inpe.br/gilberto/imprensa/centro_belem.pdf"&gt;notícia&lt;/a&gt; publicada hoje no Estadão, mas também falamos de um assunto mais político e menos técnico: o uso de recursos oriundos de créditos de carbono para pagar fazendeiros e madeireiros para manter a floresta em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um assunto que tenho uma opinião forte. Pelo lado dos créditos de carbono, expliquei que nenhum grama de CO2 será retirado da atmosfera por uma floresta tropical já crescida. Aceitar que os países desenvolvidos comprem créditos de carbono associados à preservação das florestas tropicais é hipocrisia. Os poluentes continuarão a gerar CO2 sem restrições e o planeta ficará ainda mais em risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo lado da proposta é mais questionável ainda. Expliquei ao jornalista que desmatar sem autorização é crime ambiental. E perguntei: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você acharia correto pagar aos bandidos para que eles não te assaltassem? Pagar os bandidos para eles não cometerem crimes seria solução para a criminalidade urbana?&lt;/span&gt;". A resposta evidente é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não&lt;/span&gt;. Mas a mesma lógica não parece valer para os crimes ambientais. Com a desculpa que o governo não funciona, prefere-se pagar aos criminosos do que melhorar a capacidade do Estado em combater o crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que perco a paciência e a polidez com a persistência dos argumentos auto-referentes sobre o Estado. O Estado é ineficiente, logo não merece recursos para ser eficiente, e assim sempre será ineficiente. Décadas de lavagem cerebral produziram uma sociedade que aceita e valoriza a esperteza de criminosos como fato consumado e prefere acreditar no milagre da conversão dos pecadores do que na necessidade de um Estado organizado. Mas como o Fim da História não acontecerá tão cedo, teremos muitos séculos de embates sobre este tema. Espero que a primeira mudança ocorra ainda este ano, com a despedida de Bush e seus neo-conservadores. Não custa torcer, já que não dá para votar lá. Em tempo: minha  &lt;a href="http://www.cbn.com.br/wma/wma_e.asp?audio=2008/noticias/camara_080110.wma"&gt;entrevista na CBN&lt;/a&gt; pode ser ouvida nesse  link.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-8855868018813075387?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/8855868018813075387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=8855868018813075387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/8855868018813075387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/8855868018813075387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/crimes-urbanos-rurais-ambientais-e.html' title='Crimes urbanos, rurais, ambientais e globais'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4bFt986hLI/AAAAAAAAABs/TuIP7M59Vak/s72-c/queimadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-1391476903582784376</id><published>2008-01-06T19:06:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T00:22:30.798-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Edge - Sobre o quê você mudou de opinião?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4bHst86hMI/AAAAAAAAAB0/_LCq0qIBAPE/s1600-h/Darwin_2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 194px; height: 272px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4bHst86hMI/AAAAAAAAAB0/_LCq0qIBAPE/s320/Darwin_2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154026394635371714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A revista eletrônica &lt;a href="http://www.edge.org/"&gt;Edge&lt;/a&gt;, um de meus lugares favoritos no ciberespaço, faz todo início de ano uma pergunta provocativa a seus colaboradores, que são pensadores dos novos paradigmas de interação Ciência-Sociedade no século 21. A pergunta de Ano Novo de 2008 é: "What have you changed your mind about? Why?" Como diz o editor, "A Ciência é baseada na evidência. O que acontece quando os dados ou os fatos mudam?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas são muito estimulantes. Destaco três tópicos comuns a várias respostas: as preocupações com as mudanças globais, as constatações sobre  a evolução recenteda espécie humana, e as expectativas frustradas sobre os impactos positivos da Ciência na sociedade versus a persistência de crenças religiosas irracionais. No primeiro caso, destaco o pioneiro da genética Craig Venter: "Our planet is in crisis, and we need to mobilize all of our intellectual forces to save it." Sobre a evolução da humanidade nos últimos 10.000 anos, destaco Stephen Pinker: "The field of evolutionary psychology might have to reconsider the simplifying assumption that biological evolution was pretty much over and done with 10-000 — 50,000 years ago. Selection may even have accelerated during the past several thousand years".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, um dos temas mais interessantes foi o enfrentamento entre Ciência e Religião. Vejamos alguns comentários:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Charles Seife (NYU): "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I used to think that a modern, democratic society                       had to be a scientific society. (...)In fact, science clashes with the democratic ideal. Science is about freedom of thought, yet at the same time it imposes a tyranny of ideas. In a democracy, ideas are protected. It's the sacred right of a citizen to hold — and to disseminate — beliefs that the majority disagrees with, ideas that are abhorrent, ideas that are wrong. However, scientists are not free to be completely open minded; a scientist stops becoming a scientist if he clings to discredited notions. The basic scientific urge to falsify, to disprove, to discredit ideas clashes with the democratic drive to tolerate and protect them&lt;/span&gt;."&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Lee Silver (Princeton): "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I was convinced that scientific facts and rational argument alone could win the day with people who were sufficiently educated. While                   its mode of expression may change over cultures and time, irrationality and mysticism seem to be an integral part of normal human nature,even among highly educated people.&lt;/span&gt;"&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Alan Alda (ator e apresentador de programas científicos): "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Why is the belief in God and Gods so ubiquitous? Does belief in a higher power confer some slight health benefit, and has natural selection favored those who are genetically inclined to believe in such a power — and is that why so many of us are inclined to believe?&lt;/span&gt;"&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Marco Iacoboni (UCLA): "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I thought that rational, enlightened thinking would eventually eradicate irrational thinking and supernatural beliefs. I guess I was wrong, way wrong. Thirty years later, irrational thinking and supernatural beliefs are much stronger than they used to be, permeate ours and other societies                   and it does not seem they will go away any time soon&lt;/span&gt;".&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Carolyn Porco (Univ Colorado): "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I used to think that the power of science to dissect, inform, illuminate and clarify, its venerable record in improving the human condition, and its role in enabling the technological progress of the modern world were all so glaringly obvious that no one could reasonably question its hallowed position in human culture as the pre-eminent device for separating truth from falsehood. I'm no longer sure that scientific inquiry and the cultural value it places on verifiable truth can survive without constant protection, and its ebb and flow over the course of human history affirms this.&lt;/span&gt;"&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;Em resumo, muitos cientistas estão preocupados sobre o aumento do abismo entre Ciência e Religião. Já sabemos destruir o mundo com bombas nucleares. Também poderemos destruí-lo se exaurirmos a capacidade da Terra em nos sustentar. Logo saberemos o mapa genético de cada pessoa. Nunca a Ciência foi tão importante para a humanidade. Mas continuamos a acreditar mais na Bíblia, no Corão e no Talmude que em Darwin. Deus me livre! (ou melhor, Darwin me livre!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-1391476903582784376?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/1391476903582784376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/1391476903582784376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/edge-sobre-o-qu-voc-mudou-de-opinio.html' title='Edge - Sobre o quê você mudou de opinião?'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4bHst86hMI/AAAAAAAAAB0/_LCq0qIBAPE/s72-c/Darwin_2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-4045326641937222702</id><published>2008-01-05T22:50:00.000-02:00</published><updated>2008-01-10T23:36:30.959-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ambiente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Brasil: potência ambiental? E na Ciência?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4Aw2986hKI/AAAAAAAAABk/848_0kK7KG4/s1600-h/amazonia_lba.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4Aw2986hKI/AAAAAAAAABk/848_0kK7KG4/s320/amazonia_lba.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152171694612972706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O embaixador Rubens Ricúpero escreveu em 30.12.2007 no Estadão ótimo &lt;a href="http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup102462,0.htm"&gt;artigo &lt;/a&gt;sobre os desafios pós-Bali, onde reforça seu conceito de que o Brasil é uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;potência ambiental&lt;/span&gt;. O argumento é convincente:  "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nenhum acordo decisivo sobre o ambiente pode ser alcançado sem nós. Temos a maior floresta tropical, um dos principais reservatórios de água doce, biodiversidade, energia limpa e biocombustíveis&lt;/span&gt;." Num artigo anterior para a Folha, Ricúpero já havia dito: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nem potência nuclear nem militar convencional, arrastando crescimento raquítico há 20 anos, o Brasil tem apenas um setor em que faz diferença em termos globais: é o ambiente, item vital que vai dominar a agenda internacional pelos próximos cem anos&lt;/span&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão do Brasil como potência ambiental tem a capacidade de servir como suporte estrutural para uma agenda nacional. Mas ela não acontecerá sem um grande esforço de reorganização da Ciência brasileira. Hoje e cada vez mais no futuro, as questões ambientais serão guiadas pelo conhecimento científico. Foram os modelos climáticos que deram a base para os relatórios do IPCC e motivam as difíceis negociações para um novo Tratado sobre o Clima. Sem o suporte da Ciência, a questão ambiental não estaria na pauta mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta dependência entre conhecimento científico e potência ambiental coloca um grande desafio para o Brasil. Temos de organizar nossa C&amp;amp;T  para priorizar os desafios de sermos líderes mundiais na questão ambiental. Uma potência ambiental precisa ter excelência em temas como mudanças globais, sensoriamento remoto, gestão ambiental, biotecnologia, energias renováveis, e nas geociências em geral. Não pode ter medo de transgênicos nem restringir o acesso e a experimentação com a biodiversidade. A Ciência brasileira precisa ser capaz de responder a perguntas como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(a) Pode ocorrer um colapso na Floresta Amazônica devido às mudanças globais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(b) Qual o impacto do etanol sobre o fornecimento de comida para o planeta?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(c) Como produzir variedades agrícolas ambientadas a um clima mais quente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(d) Que práticas de saúde pública poderão tratar as doenças tropicais hoje e no futuro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(e) Que opções de desenvolvimento econômico brasileiro são compatíveis com a sustentabilidade ambiental?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ciência brasileira cresceu notavelmente nos últimos 30 anos, mas este crescimento foi em modo de "piloto automático". Temos grupos de pesquisa em todas as áreas do conhecimento, o que é positivo em termos de formação universalizante. Mas este crescimento isotrópico tem limites reais. O Brasil não tem recursos para ser igualmente forte em todos os ramos da Ciência. Apenas o orçamento anual da parte civil da NASA é US$ 15 bilhões, enquanto o orçamento total do MCT brasileiro é US$ 2,5 bilhões. Haverá que ser seletivo em nossas escolhas se quisermos ter a Ciência necessária para sermos uma potência ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No INPE, estamos no meio de uma reorganização interna. Pretendemos ser um dos principais suportes científicos para fazer do Brasil uma potência ambiental no século 21. Em 2007, criamos um Centro de Ciência do Sistema Terrestre e um Laboratório de Monitoramento Global de Florestas Tropicais. Além disso, repensamos nosso programa espacial para que a Engenharia Espacial atenda às demandas das Geociências e não vice-versa, como já foi o caso no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta visão direcionada para um objetivo nacional maior enfrenta ainda muitas resistências de saudosistas do modelo "tecnologia pela tecnologia", que foi a base dos grandes programas nacionais dos anos 70, em áreas nuclear, informática, aeronáutica, defesa e espaço. A busca por uma auto-suficiência enganosa e fugidia ainda está na mente de muitos bons engenheiros, cientistas e cidadãos. Não adianta tentar convence-los, o jeito é seguir em frente. Quando "cair a ficha" destes enganados, ou já teremos vencido a luta ou a oportunidade já terá passado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(P.S. a foto acima, cortesia de Carlos Nobre, mostra uma torre do &lt;a href="http://lba.cptec.inpe.br/"&gt;LBA&lt;/a&gt; no meio da Floresta Amazônica).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-4045326641937222702?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/4045326641937222702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=4045326641937222702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/4045326641937222702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/4045326641937222702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/brasil-potncia-ambiental.html' title='Brasil: potência ambiental? E na Ciência?'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R4Aw2986hKI/AAAAAAAAABk/848_0kK7KG4/s72-c/amazonia_lba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-4565455050598724040</id><published>2008-01-01T13:08:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T08:33:12.915-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><title type='text'>Lido e ouvido em 2007</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R3pu-t86hII/AAAAAAAAABU/BNqXbPFAQes/s1600-h/stimmung.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 257px; height: 257px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R3pu-t86hII/AAAAAAAAABU/BNqXbPFAQes/s320/stimmung.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150551147617617026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Leituras e audições que me ajudaram a viver mais intensamente em 2007. Algumas são novas, outras são descobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Música&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Stockhausen, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Stimmung&lt;/span&gt;" (Paul Hiller and Theather of Voices): fiel às suas raízes wagnerianas, os sonhos de grandeza de Stockhausen e suas visões alopradas não deixaram que ele compusesse nada de muito interessante nas últimas décadas. Mas este &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tour de force&lt;/span&gt; vocal concebido nos meses do inverno americano de 1968 e que evoca os templos astecas e maias mexicanos ganhou uma versão excepcional, de uma hipnose conquistadora. Disse o compositor: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I spent a month in Mexico walking through the ruins. The magic names of the Aztec gods are spoken in Stimmung…. I sat for hours on the same stone, watching the proportions of certain Mayan temples with their three wings, watching how they were slightly out of phase. In Stimmung we get the whole general feeling of the Mexican plains with their edifices going into the sky- the quietness, on the one side and the sudden changes, on the other&lt;/span&gt;". Meu disco do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liszt, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Concertos para Piano 1 e 2, Totentanz&lt;/span&gt;" (Arnaldo Cohen, OSESP, Neschling): Um disco imponente, que marca uma excelente fase da OSESP e a maturidade de Cohen como intérprete de Liszt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Takemitsu, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;I Hear the Water Dreaming&lt;/span&gt;" (Patrick Gallois, BBC SO, Andrew Davis, DG): não é um disco novo, mas sua inclusão na lista celebra a entrada da venerável Deutsche Grammophon no ramo dos downloads MP3s (há  maravilhas no site da DG). O universo mágico de Toru Takemitsu, numa síntese entre os tons ocidentais e as harmonias orientais,  está muito bem representado nesta série de composições para flauta e orquestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Scriabin, "Sonatas 2, 5 e 9, Mazurkas, Estudos" (Yevgeny Sudbin, BIS): Sudbin consegue retirar o véu místico e hiper-romântico de Scriabin e reconstrói a música a partir de seu esqueleto. O resultado é uma música envolvente, sem arroubos, mas singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brahms, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Concertos 1 e 2 para Piano e Orquestra&lt;/span&gt;", Nelson Freire, Gewandhaus, Ricardo Chailly (EMI): uma realização impecável, nos traz um Brahms para o século 21, despido de sentimentalismos. Nelson Freire mescla força e emoção, com uma orquestra e um regente maravilhosos. Foi o disco do ano pela  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gramophone&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blueawardsbold"&gt;Haas, Janácek, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quartetos de Cordas&lt;/span&gt;", &lt;/span&gt;&lt;span class="blueawardsnorm"&gt;Pavel Haas Quartet (Supraphon). Esta foi minha descoberta do ano, comprada por impulso quando estive em Praga em Maio. O quarteto no.2 de Janacek ("Cartas Íntimas") ganhou uma leitura jovem. Mas a grande pedida é o quarteto no.2 de Pavel Haas, uma obra forte e bem típica da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;MittelEuropa&lt;/span&gt;. Haas morreu no campo de concentração de Therezinenstadt. No final do ano, este CD ganhou o prêmio da Gramophone de melhor disco de música de camera de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="blueawardsnorm"&gt;Golijov, "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oceana&lt;/span&gt;", Luciana Souza, Dawn Upshaw, Atlanta SO, Spano. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Golijov  strikes again&lt;/span&gt;: como um dos compositores contemporâneos mais abertos a influencias diversas, sua música traz um frescor necessário para a renovação da música clássica no século 21. Sobre um belo poema de Pablo Neruda, Luciana Souza projeta mosaicos pop e jazz num edifício clássico. Beleza pura, para ouvir sem preconceitos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Livros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Postwar&lt;/span&gt;", Tony Judt: uma leitura informada e provocadora da secunda metade do século XX na Europa. História feita por quem sabe: sem cair em simplificações marxistas ou conservadoras, Judt faz o balanço entre os fatores estruturais e a capacidade dos indivíduos em provocar mudanças não-lineares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Critical Mass&lt;/span&gt;", Phillip Ball: uma visão da teoria de sistemas complexos do ponto de vista de um escritor de ciência com doutorado em Física. Ele mostra que algumas noções apresentadas como novidades por autores ligados ao Santa Fe Institute tem raízes em Hobbes, Adam Smith, e na Física Estatística, especialmente na análise de estados fora do  equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Rest is Noise: Listening to the Twentieth Century&lt;/span&gt;", Alex Ross. Uma partitura informada, que mostra como a Musica do século XX é um reflexo do jogo de poder. Seja com os nazistas perseguindo Schoenberg e endeusando Strauss, com Stalin censurando Shostakovich, com a CIA financiando Stockhausen e Boulez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Musicophilia: Tales of Music and the Brain&lt;/span&gt;", Oliver Sacks. Como alguém com amnésia severa consegue conduzir um coral de musica renascentista com perfeição? Como alguém com mal de Parkinson que mal se move consegue cantar hinos com perfeição? Estes e muitos outros paradoxos aparentes são explorados por Sacks, que nos mostra que nosso cérebro tem áreas específicas para música, que conseguem sobreviver mesmo em situações extremas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-4565455050598724040?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/4565455050598724040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=4565455050598724040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/4565455050598724040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/4565455050598724040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2008/01/lido-e-ouvido-em-2007.html' title='Lido e ouvido em 2007'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R3pu-t86hII/AAAAAAAAABU/BNqXbPFAQes/s72-c/stimmung.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-7098653161116238650</id><published>2007-12-31T09:55:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T08:35:14.258-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Reflexões e inflexões de Ano Novo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R3j5-t86hGI/AAAAAAAAABE/XtOAnGAmgdI/s1600-h/cbers2b-launch.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R3j5-t86hGI/AAAAAAAAABE/XtOAnGAmgdI/s320/cbers2b-launch.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150141029780456546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como diz Drummond, "o último dia do ano não é o último dia do Tempo". Mas os balanços de fim de ano são tão inevitáveis quanto a champagne. Para quem trabalha no INPE, e luta intensamente para construir um ambiente de pesquisa e desenvolvimento numa instituição pública no Brasil, 2007 foi um ano para celebrar o presente e para projetar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No front interno do INPE, lançamos o satélite CBERS-2B (ver foto), fizemos com competência o monitoramento do desmatamento da Amazônia, conseguimos recursos para comprar um novo supercomputador para previsão de tempo e clima, e criamos um novo Centro de Ciência do Sistema Terrestre. O INPE está se transformando para o século 21. Para que esta mudança se complete, é preciso ainda muito. Internamente, temos de construir um novo modelo de gestão, que reflita a complexidade e as múltiplas dimensões da instituição. Mas o desafio maior será buscar um novo modelo institucional. A estrutura rígida da administração direta pode destruir em poucos anos uma das instituições orgulho do Brasil, que gerações de cientistas e engenheiros dedicados levaram meio século para construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso País é o Brasil. Os formadores de opinião horrorizam-se com nossos péssimos números em saúde, educação, e segurança. Mas a elite branca não aceita pagar a conta de melhorar a qualidade do serviço público. Uma instituição que faça um enorme esforço para ser eficiente e ter qualidade é colocada na vala comum de "inchaço da máquina pública". E nada de salários decentes, nem de vagas imprescindíveis para manter e melhorar o que está a funcionar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde correr? Por que mudanças lutar? Numa visão pragmática, instituições de excelência deveriam  singularizar-se, virar algo diferente da mesmice, sair do coletivo das instituições. Num País sem projeto para o serviço público, esta saída pragmática se choca com o corporativismo dos pares e com o ativismo sindical de uma esquerda que ainda sonha com um projeto socialista e não aceita individualidades. Razão tem os analistas políticos que apontam que o governo Lula foi pragmático e que o capitalismo nunca esteve tão forte no Brasil. As políticas sociais do governo são cuidadosamente calibradas para manter a inflação sob controle e o País no rumo de atingir o "investment grade" dado pelas agências de risco internacionais. Neste ponto, é forçoso reconhecer que FFHH tinha razão pelo menos num ponto: a esquerda brasileira sempre foi européia, mas a sociedade brasileira é americana. O Brasil do futuro se parecerá muito mais com os EUA do que com qualquer país europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade sem piedade como os EUA, como agem os gestores de instituições de P&amp;amp;D? Eles competem agressivamente por recursos públicos e privados, e não tem receios em contratar talentos e demitir quem não trabalha com afinco. É uma postura antipática, mas a única possível para sobreviver. A "escolha de Sofia da pesquisa brasileira" é assim marcada pelo dilema entre permanecer ligado a um coletivismo  simpático, sonhador e destrutivo, ou optar por um individualismo antipático e pragmático, que pode ser a única alternativa de construir um futuro viável para nossas melhores instituições de pesquisa e desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para 2008, uma inflexão: sair deste dilema e não deixar o futuro por conta da boa-vontade dos outros e da sonhada conversão de Damasco da elite econômica e política brasileira, que nunca acontecerá. Nosso futuro é precioso demais para coloca-los em mãos alheias e por vezes insensíveis. Meu pai, bom jogador de Xadrez, me dizia quando eu estava numa posição difícil numa partida: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nunca vi ninguém ganhar abandonando. Lute, você só perde uma vez&lt;/span&gt;".  Neste caso, o Xadrez ensina para a Vida. Como diz Drummond:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;Para ganhar um Ano Novo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;que mereça este nome,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;você, meu caro, tem de merecê-lo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;mas tente, experimente, consciente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal; font-style: italic;"&gt;&lt;span style=""&gt;É dentro de você que o Ano Novo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 3pt 0cm 3pt 14.2pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cochila e espera desde sempre.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-7098653161116238650?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/7098653161116238650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=7098653161116238650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7098653161116238650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7098653161116238650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2007/12/reflexes-e-inflexes-de-ano-novo.html' title='Reflexões e inflexões de Ano Novo'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/R3j5-t86hGI/AAAAAAAAABE/XtOAnGAmgdI/s72-c/cbers2b-launch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-3252207242259724872</id><published>2007-03-17T07:36:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:36:20.925-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Joyce Hatto e os canhões de armada cultural britânica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfvN6I7CtZI/AAAAAAAAAAk/G-h2OdIeBhw/s1600-h/Carlo-CD.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfvN6I7CtZI/AAAAAAAAAAk/G-h2OdIeBhw/s320/Carlo-CD.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042850606482634130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfvNpY7CtYI/AAAAAAAAAAc/7AZlG-kNTSk/s1600-h/Hatto-Godowsky-CD.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0px; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfvNpY7CtYI/AAAAAAAAAAc/7AZlG-kNTSk/s320/Hatto-Godowsky-CD.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042850318719825282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os fatos do caso são conhecidos. Joyce Hatto, uma pianista inglesa de pouca expressão, saiu de cena no final dos anos 70, devido a problemas de saúde. Pouco antes de falecer de câncer em 2006 e depois de muito tempo esquecida, começa a lançar uma coleção de mais de 100 CDs com as principais peças do repertório clássico. É louvada pela crítica como um grande segredo finalmente revelado. Suas gravações são incensadas e consideradas em alguns casos como referências.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Depois tudo é descoberto. As gravações de 'Joyce Hatto' são todas pirateadas. Na maioria dos casos, são CDs de jovens pianistas em gravadoras de pouca divulgação na Europa e EUA, com tratamentos digitais para disfarçar a origem. Por exemplo, o CD com os arranjos de Godowsky para os estudos de Chopin tem a maior parte de suas faixas copiada de um CD do pianista italiano Carlo Grante. Para maiores detalhes sobre a farsa, veja-se o site do &lt;a href="http://www.pristineclassical.com/HattoHoax.html"&gt;especialista que comprovou a fraude&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.andrys.com/hatto.html"&gt;uma cronologia do caso&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Manipulações digitais à parte, a pergunta intrigante é: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque o CD de Carlo Grante foi ignorado pela critica, enquanto o CD de Hatto foi considerado a gravação de referência?  &lt;/span&gt;A resposta remete à teoria da cultura de massa. Joyce Hatto foi um produto da armada cultural britânica e de seus discípulos nos EUA.  O grande Luis Buñuel dizia que seu compatriota Pérez Galdós (de quem adaptou"Tristana" para o cinema) era muito maior que Faulkner, mas que os canhões americanos promoveram este à categoria de clássico, enquanto Pérez Galdós permaneceu quase esquecido. Observação perfeita, e que se ajusta ainda melhor se conhecermos a psiquê britânica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Os ingleses nunca superaram a derrocada de seu império. Ainda mais agora quando, favorecidos pela dominação mundial de sua língua nos meios de comunicação e na Internet, eles podem usar sua tradição aristocrática para dar o suporte &lt;span style="font-style: italic;"&gt;high-brow&lt;/span&gt; necessário à tecnologia dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cowboys&lt;/span&gt; americanos. Não é por coincidência que os ingleses produzem o melhor periódico sobre a economia mundial  ("The Economist") e a melhor revista de música clássica ("Gramophone"). Grandes dramaturgos como Harold Pinter e bons atores como John Gielgud e Helen Mirren estão sempre à disposição, quando Hollywood precisa produzir algo além de efeitos especiais. Os ingleses descobriam como usar sua história para ditar  a cultura internacional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Veja-se o "The Classical Good CD &amp;amp; DVD Guide", editado pela revista Gramophone e considerado a bíblia dos colecionadores de música clássica. Vejamos o século XX. O guia dá um enorme destaque a compositores ingleses de segunda classe, como Arnold, Elgar e Vaughan Williams. Sobre Elliot Carter, Sofia Gubaidulina, Alberto Ginastera e Kaija Saariaho, breves menções. Luigi Nono, Giacinto Scelsi, e Oswaldo Golijov são simplesmente ignorados. O tempo já mostrou que "Il Canto Sospeso" do Nono é muito maior que todas as sinfonias de Vaughan Williams. Mas a armada inglesa resistirá até o fim. Inclusive porque o fim está distante...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Para quem produz ciência e cultura no Brasil, o caso Joyce Hatto é muito didático, por expor as entranhas de uma máquina de produção de consenso. O jogo é desigual mesmo, e não adianta apenas reclamar. É preciso reconhecer quando os padrões culturais construídos tem base real e quando são artificialismo. É inevitável aceitar que a lógica mundial da produção de informação seja condicionada pela indústria cultural dos lordes e dos cowboys. Quando houver brechas e oportunidades na máquina, precisamos saber explorá-las até o limite. É a sina de quem opera na periferia do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-3252207242259724872?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/3252207242259724872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=3252207242259724872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/3252207242259724872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/3252207242259724872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2007/03/joyce-hatto-e-os-canhes-de-armada.html' title='Joyce Hatto e os canhões de armada cultural britânica'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfvN6I7CtZI/AAAAAAAAAAk/G-h2OdIeBhw/s72-c/Carlo-CD.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-5502075083584495223</id><published>2007-03-11T18:09:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:37:33.972-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Ciência, Diplomacia e Mudanças Globais</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfS9zo7CtXI/AAAAAAAAAAU/at14tllp4Uw/s1600-h/polar_bear.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 231px; height: 187px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfS9zo7CtXI/AAAAAAAAAAU/at14tllp4Uw/s320/polar_bear.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040862577790465394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Durante as apresentações do Simpósio Brasileiro de Mudanças Climáticas Globais, fui informado que o governo americano continua a limitar o que seus cientistas podem falar oficialmente sobre mudanças climáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caso ilustra os desafios da interação entre pesquisa e política em Mudanças Climáticas.  O consenso científico em torno do papel das emissões antropogênicas como causa do aquecimento  global está bem estabelecido. Nas próximas décadas, o grande papel da Ciência é buscar estabelecer as possíveis conseqüências a médio prazo e avaliar mecanismos de adaptação. Já a Engenharia tem de buscar tecnologias de mitigação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;hoje&lt;/span&gt;. Como os gases de efeito estufa ficam na atmosfera por 100 anos, o debate sobre ação imediata não é mais científico e sim político e diplomático. O futuro do planeta depende agora mais dos governos e de seus diplomatas do que dos cientistas. Os acordos sobre Mudanças Climáticas irão ser cada vez mais no estilo OMC do que no estilo IPCC. No IPCC, busca-se um consenso científico a partir dos diferentes resultados de pesquisa. Na OMC, cada lado busca valorizar seus pontos fortes e atacar os pontos fracos dos adversários. Sem contar que na OMC tem de haver unanimidade para funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí porque a luta pelos corações e mentes da opinião pública é tão crucial para os cientistas e os interessados em salvar o planeta. Temos de evitar os dois extremos: (a) fazer a ciência conveniente para o governo do momento; (b) fazer a ciência conveniente para os profetas do apocalipse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, o filme de Al Gore, "Uma verdade inconveniente" é excelente. Pessoalidades à parte, trata-se de uma apresentação extremamente didática do consenso científico e suas previsões para o futuro do planeta. Tudo feito com muito cuidado para informar bem a sociedade. O Al Gore merece meu prêmio Richard Dawkins de Compreensão Pública da Ciência em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa tarefa é difícil mas necessária. Trata-se de interagir muito com a sociedade, imprensa e diplomatas, mas sem se subordinar à estratégia de cada interlocutor. Precisamos que eles ouçam e entendam o melhor do consenso  científico. Só com um forte consenso nacional há chance de influenciar a postura brasileira nas negociações internacionais sobre Mudanças Globais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: a matéria &lt;span class="moz-txt-star"&gt;&lt;span class="moz-txt-tag"&gt;*&lt;/span&gt;Protocol Is Cited in Limiting Scientists’ Talks on Climate&lt;span class="moz-txt-tag"&gt;* está em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a class="moz-txt-link-freetext" href="http://www.nytimes.com/2007/03/09/us/09polar.html"&gt;www.nytimes.com/2007/03/09/us/09polar.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-5502075083584495223?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/5502075083584495223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=5502075083584495223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/5502075083584495223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/5502075083584495223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2007/03/ciencia-diplomacia-e-mudanas-globais.html' title='Ciência, Diplomacia e Mudanças Globais'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfS9zo7CtXI/AAAAAAAAAAU/at14tllp4Uw/s72-c/polar_bear.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-7843971580130886616</id><published>2007-03-10T22:26:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:38:54.190-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Os cientistas podem acreditar em deuses?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfNiyo7CtWI/AAAAAAAAAAM/kVgWA3JGV9A/s1600-h/richard_dawkins.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 116px; height: 158px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfNiyo7CtWI/AAAAAAAAAAM/kVgWA3JGV9A/s320/richard_dawkins.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040481030075757922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Recentemente, num simpósio no INPE sobre Prevenção de Desastres Naturais no Semi-Árido, fiz uma rápida palestra. Disse ter grandes esperanças sobre o impacto da Ciência no Nordeste. Oriundo de Fortaleza e com família com raízes em Quixeramobim (um dos locais mais secos do Brasil), sempre acreditei que o profundo misticismo do nordestino é um dos maiores obstáculos ao progresso da região.&lt;br /&gt;A crença por milagres, a espera pelo Dia de São José (19 de março) e o prestígio dos profetas da chuva trazem a marca do imobilismo. A seca não é castigo nem a chuva é prêmio dos Céus. No entanto, ano após ano, seguem os sertanejos em romaria para o Canindé ou para o Juazeiro do Padre Cícero, em busca de uma esperança que a sociedade lhes nega. Enquanto imperar o misticismo no Nordeste, as soluções racionais sempre serão pela metade. O enfrentamento da seca depende dos homens e não dos deuses.  Considero que a Ciência é a nossa vela na escuridão e que não há salvação na salvação eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Minha fala provocou reações negativas em boa parte da platéia, formada por especialistas e pesquisadores do clima no Nordeste e seu impacto sobre o homem. Vários defenderam os profetas da chuva. Outros ficaram chocados com minhas críticas ao misticismo e à crença religiosa, pois eram crentes. Um cientista amigo (que, graças a Deus, é ateu) me pediu para moderar minhas palavras fortes no futuro. Fiquei pasmo, até que finalmente percebi a diferença fundamental entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cientistas &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pesquisadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um cientista é aquele que acredita na Ciência e no método científico como instrumento de conhecimento do mundo. Seu conhecimento da Ciência vai muito além de sua especialidade. Ele entende qual o impacto para a sociedade de descobertas como a teoria da evolução, o DNA, as células tronco, o Big Bang e o aquecimento global. Já o pesquisador é apenas um produtor de conhecimento isolado. O pesquisador é alguém que teve uma educação especializada, fez doutorado, e conhece uma área a ponto de publicar resultados inéditos e orientar teses. Ele gera contribuições relevantes, mas muitas vezes não entende o impacto global da Ciência sobre a humanidade nem como a Ciência é produzida e gerenciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisadores são muitos. Cientistas, muito poucos. A atividade de pesquisa é tão exigente e absorvente que muitos pesquisadores ficam inteiramente focados em sua área de conhecimento. Desta, sabem muito. Mas estão alheios a debates fundamentais que estão ocorrendo na Ciência mundial. Um pesquisador americano disse-me uma vez que "não lia nenhum paper de outros, senão não teria tempo para escrever os seus".  A rigor, não há mal nenhum em ser pesquisador. Há excelentes pesquisadores que geram importantes contribuições. Mas eles jamais chegarão a ser cientistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma pergunta simples para começar a distinguir entre um pesquisador e um cientista: você acredita em deuses? Um cientista de verdade não pode acreditar em nenhuma força mística, nem a que chamamos de Deus, Alá, Jeová, Tupã, Zeus, Osiris, ou algo semelhante. Entre Darwin e Zeus, entre DNA e Jeová, o cientista sempre sabe de que lado está. Só isto não basta para ser cientista, mas já é um bom começo. De minha parte, meu ídolo é Richard Dawkins, o grande autor do Gene Egoísta e de "The God Delusion" (ver foto).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-7843971580130886616?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/7843971580130886616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=7843971580130886616' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7843971580130886616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/7843971580130886616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2007/03/os-cientistas-podem-acreditar-em-deuses.html' title='Os cientistas podem acreditar em deuses?'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zluDberx42A/RfNiyo7CtWI/AAAAAAAAAAM/kVgWA3JGV9A/s72-c/richard_dawkins.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116843727212805165</id><published>2007-01-10T11:47:00.000-02:00</published><updated>2007-01-10T11:54:32.170-02:00</updated><title type='text'>Resoluções de Ano Novo</title><content type='html'>Tomei uma resolução de Ano Novo: juntar meus dois blogs (este e meu &lt;a href="http://educincosentidos.blogger.com"&gt;blog de música&lt;/a&gt;).  Assim, terei um blog único no qual coloco tudo, tanto a parte de política e história de ciência e tecnologia, quanto questões culturais que me interessam. Como resultado, este blog é um retrato mais fiel do autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116843727212805165?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116843727212805165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116843727212805165' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116843727212805165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116843727212805165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2007/01/resolues-de-ano-novo.html' title='Resoluções de Ano Novo'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116860575413645178</id><published>2006-12-30T10:41:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T08:39:52.774-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Vozes da Sicilia e a voz da pós-modernidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/1600/170713/berio_voci.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 218px; height: 218px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/320/305757/berio_voci.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berio: Voci&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Kim Kashkashian (viola), Robyn  Schulkowsky (percussão), RSO Viena, Dennis Russell Davies&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das grandes tendências da música do século XX é o jogo de influências entre o folclore e as construções musicais inovadoras. Para compositores como Bártok, o folclore é a base de inspiração em busca de harmonias não-tonais, e livres de peso da tradição tonal. Neste disco, Berio faz um uso extremamente inteligente do folclore siciliano, incorporando-o em duas composições ("Voci" e "Naturale") que apontam para uma música transcendente, sem compromissos outros que não seu próprio desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua carreira, Berio mostrou-se um mestre da voz num contexto inovoador, como em "Coro", "Sinfonia", "Circles", e na maravilhosa "Sequenza para voz solo". Nestas obras, as vozes são partes do discurso musical, por vezes na expressão coral tradicional (como em "Coro"), e também usando a desconstrução, como na Sequenza. Em "Voci", Berio vai um passo além. Usando temas sicilianos (também apresentados no CD, o que é muito importante para o ouvinte), Berio retransforma-os num concerto para viola. Colocada em grande destaque com relação à orquestra, a viola retrabalha os temas populares, e coloca em oposição à massa orquestral. A oposição solista-orquestra (tão cara a Beethoven) aqui adquire também uma dimensão política. O indivíduo (povo) resiste à massificação. Diria um italiano, "muitos já tentaram conquistar a Sicília, que venceu todos os invasores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contraposição entre viola, voz popular, e acompanhamento é fascinante. Os cantos populares sicilianos que inspiraram Berio transmitem uma força vital. A escolha da viola como solista é precisa. Seu tom transmite a força do povo somada à tradição intelectual moderna. É como se Berio dissesse: não basta valorizar a tradição e a vontade populares, é preciso usar o conhecimento para expressar essa tradição de forma universal e inovadora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116860575413645178?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116860575413645178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116860575413645178' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860575413645178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860575413645178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/12/vozes-da-sicilia-e-voz-da-ps.html' title='Vozes da Sicilia e a voz da pós-modernidade'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116385639813957391</id><published>2006-11-18T11:18:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T08:41:28.849-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Como Beethoven controla nossa memória</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/1600/Baily_vanitas_self_portrait.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/320/Baily_vanitas_self_portrait.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;            A  bordo de um avião da Aerolineas Argentinas entre Buenos Aires e São Paulo, estava terminando de ler o excelente livro de Douwe Draaisma, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;How Life Speeds Up as You Get Older&lt;/span&gt;”, quando de repente no meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ipod &lt;/span&gt;surgem os acordes familiares do último movimento do Trio “Arquiduque”, de Beethoven. A sensação de paz e alegria interior foi imediata e extrema. Quando Menahem Pressler, pianista do Beaux&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Arts Trio, começou os acordes quase sinfônicos do &lt;i style=""&gt;finale&lt;/i&gt;, foi como seu o trio estivesse ali, na minha frente. De onde vem tanta alegria?    &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;                Sem entender do assunto, ouso buscar em Draaisma parte da explicação. O último capítulo descreve um quadro de Bailly, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vanitas: natureza morta com um retrato de um jovem pintor&lt;/span&gt;”, pintado em 1651. Típico deste gênero é a metáfora da &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;transitoriedade da vida. O quadro tem um detalhe intrigante, que deve ser típico dos vanitas, mas que havia me escapado até agora. Além dos símbolos como rosas murchas, pérolas, livros e uma ampulheta, há uma &lt;i style=""&gt;flauta doce&lt;/i&gt; meio escondida, perto do pintor. Draaisma explica: “&lt;i style=""&gt;para Bailly, de todas as artes, a música era vista como a mais transitória. A primeira forma de capturar e reproduzir o som – o gramofone – só seria inventado em &lt;st1:metricconverter productid="1897.”" st="on"&gt;1870&lt;span style="font-style: normal;"&gt;.”&lt;/span&gt;&lt;/st1:metricconverter&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;                Daí surgiu uma hipótese estranha, mas plausível, para a minha alegria.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Se a música está presente desde o início da humanidade (e temos evidências amplas que isto aconteceu), então nossa percepção se desenvolveu a ponto de ampliar muito a apreensão dos sons. Ao olhar um quadro ou ler um livro, estamos em comando quase total do processo de percepção. Ficamos em frente ao quadro pelo tempo que queremos. Alguns breves segundos, ou muitos minutos. Olhamos o todo e então nos fixamos &lt;st1:personname productid="em detalhe. O" st="on"&gt;em detalhe. O&lt;/st1:personname&gt; livro nos permite parar, voltar, pular de capítulo, ler o final. Mas a música não. O tempo é determinado pelo compositor e pelo intérprete. Os efeitos se desenvolvem no tempo. Eles nos trazem sensações que vão do equilíbrio das sonatas de piano de Mozart à angústia das sinfonias de Mahler. Beethoven nos comanda mais que Picasso. Podemos não conseguir captar “Guernica”, mas não conseguimos sair imunes do final da Nona Sinfonia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Nossa percepção musical vem de muito longe. Ela foi adaptada a um mundo em que era muito importante prestar atenção ao que se ouvia, pois não havia &lt;i style=""&gt;ipods&lt;/i&gt;. Daí a força da música sobre nós. E é também interessante sentir que esta percepção responde de forma diferente à medida que ampliamos nossos horizontes musicais. Aí entra o gênio de Beethoven. Pode-se ouvir a sonata para piano e violino “Kreutzer” centenas de vezes, mas sempre será a primeira vez. Se alguém nos pedir para assoviar os primeiros compassos da sonata, dificilmente o faremos. Mas assim que os acordes começam, nossa &lt;i style=""&gt;memória interior&lt;/i&gt; (como ensina Draaisma) nos prepara para cada novo passo. É estranho, mas sabemos o que vem pela frente. Parece haver um conjunto de associações guardado, pronto para ser processado junto com a música. Sinto como se ouvesse dois executantes: os intérpretes de um lado e o cérebro de outro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito interessante verificar que esta sensação de “acompanhar” a música não tem a mesma intensidade para todo tipo de peça. Como ensina o maestro Niklaus Harnoncourt, cada peça de Beethoven é um exercício de retórica. A construção é feita como um discurso musical, que nos conduz a um clímax estético. Já o mesmo não acontece com tanta intensidade nas missas polifônicas do Renascimento e na música contemporânea. É preciso estar muito atento e relaxado para sentir os efeitos maravilhosos das várias vozes da “Missa Prolatonium”, de Ockeghem, ou a força do silêncio no quarteto “Fragmente-Stille: An Diotima”, de Luigi Nono. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explicação pode não ser verdadeira, mas serve-me de consolo. Às vezes, me sinto quase obrigado a ouvir uma peça contemporânea. Afinal, é necessário ampliar os horizontes. E dá-lhe Elliot Carter, Boulez, Ligeti, Nono, Xenakis... Mas confesso: tem horas que não consigo. Deixo o Xenakis para outro dia. Aponto o ipod para um quarteto de Beethoven, com a alegria interior garantida e o coração bem mais leve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116385639813957391?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116385639813957391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116385639813957391' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116385639813957391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116385639813957391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/11/como-beethoven-controla-nossa-memria.html' title='Como Beethoven controla nossa memória'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116860554805425539</id><published>2006-11-14T10:35:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T08:42:32.866-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Um mantra tibetano para quarteto de cordas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_zluDberx42A/RfxCe47CtaI/AAAAAAAAAAs/hgc1g2HR0gM/s1600-h/scelsi.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 209px; height: 155px;" src="http://bp3.blogger.com/_zluDberx42A/RfxCe47CtaI/AAAAAAAAAAs/hgc1g2HR0gM/s320/scelsi.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042978781191648674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Giacinto Scelsi, Quarteto de Cordas no. 4&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quarteto Arditti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira sensação ao ouvir o Quarteto no.4 de Scelsi é a perplexidade. Sons que parecem vir de um instrumento desconhecido, de um mundo diferente, com uma música circular que gera uma tensão contínua. A princípio, esperamos que a tensão seja resolvida como acontece na música tonal. Mas não. A tensão continua. Quando enfim nos acostumamos, ficamos envolvidos pelo som como num mantra tibetano. Aí começamos a perceber as nuances mínimas dos sons, as pequenas variações e as tensões dentro de cada nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é para menos. Scelsi, um compositor fora das escolas, concebeu esta peça para um instrumento de 16 cordas. Cada corda de cada instrumento do quarteto é notada separadamente, e o uso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;scordatura&lt;/span&gt; gera sons absolutamente inesperados. O quarteto é uma peça de dificílima execução, como &lt;a href="http://www.musicaltimes.co.uk/archive/0102/scelsi.html"&gt;relata &lt;/a&gt;o violinista Franco Sciannameo, que foi um dos executores na premiére mundial. O quarteto pede sucessivas audições. Cada vez que ouvimos, aumenta seu poder de transcendência. Uma peça assustadoramente moderna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116860554805425539?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116860554805425539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116860554805425539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860554805425539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860554805425539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/11/um-mantra-tibetano-para-quarteto-de.html' title='Um mantra tibetano para quarteto de cordas'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_zluDberx42A/RfxCe47CtaI/AAAAAAAAAAs/hgc1g2HR0gM/s72-c/scelsi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116342539867117771</id><published>2006-11-13T11:22:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T14:26:26.009-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O demônio das sete da manhã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/1600/setimo_selo.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 332px; height: 217px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/400/setimo_selo.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Confesso, sem rodeios: tenho muita ansiedade. Como já se disse, a depressão é a imperfeição do passado. E a ansiedade é a imperfeição do futuro. Porque admiti-lo? Uma das razões é desfazer o preconceito. Recentemente, o professor da USP Jair Mari foi &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult513u251.shtml"&gt;entrevistado&lt;/a&gt; por Luis Caversan, da Folha.  E disse o que todos os deprimidos e ansiosos sabem: há um enorme receio de admitir a doença. Homem que é homem não chora, sofre calado, e tem medo de suas fraquezas. A depressão e sua irmã-gêmea, a ansiedade, precisam de debate público. Só assim se verá que são muito mais comuns que se imagina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    De onde vem a ansiedade? Para mim, vem de um conflito. Para ter coragem de enfrentar a morte que nos ronda os dias, temos de ser capazes de mudar um milionésimo do mundo. Deixar a nossa marca. Mas a cada passo que damos, a cada tentativa de mudar um pouquinho do mundo, enfrentamos este terrível inimigo: o erro. O que é um erro? Defino o erro como uma ação nossa que produz o efeito contrário que desejávamos. Este efeito pode ser sentido de forma imediata (quando afetamos nossos amigos e queridos), ou ainda a médio prazo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Para quem ter um papel público qualquer (como é o caso do blogueiro), todo erro é amplificado. Cada palavra, cada gesto, é interpretado (usualmente) de forma muito negativa por todos os potenciais afetados por nossa ação. O objetivo dessa agressividade é muito bem pensado: trata-se de inibir a ação, de criar uma prudência inibidora, um receio de retaliação. O melhor, para estes críticos, é não fazer nada, manter o "status quo", reconhecer e aceitar os valores e as limitações de cada um. Afinal, dizem-me, as pessoas são assim mesmo. Não tente muda-las, ou serás engolido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Brasília, neste sentido, é a capital do medo. Todos estão muito próximos do poder, mas muito poucos o detém. O que dirá Fulano disto? Se ele não gostar, podemos ter problemas. É melhor ter certeza que Fulano e Sicrano concordam, antes de fazer qualquer coisa. Será? O objetivo desta forma sutil de intimidação é transformar servidores do Estado brasileiro e agentes da sociedade civil em apertadores de parafusos da linha de produção do governo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    O que é pior, o erro punidor ou a morte gradual? Este é o dilema do ansioso. Ele acorda com a certeza que terá pela frente mais um dia de conflitos, onde a luta pela afirmação de suas convicções será testada a cada momento. O pior é saber que não há cura. O que pode haver é a penosa construção de uma paz interior. Que só pode vir de uma escolha cuidadosa e destemida de nossas opções. Não ter medo de errar, mas saber porque está jogando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Minha metáfora de vida favorita é a partida de Xadrez entre o cavaleiro medieval e a Morte no "&lt;a href="http://www.theyshootpictures.com/review_seventhseal.htm"&gt;Sétimo Selo&lt;/a&gt;", de Bergman. O cavaleiro, cansado das cruzadas e cético dos ensinamentos da Igreja, sabe que a derrota é certa. Mas com sutileza e boas estratégias prolonga a partida até que um casal de saltimbancos e seu filho conseguem escapar da Peste Negra. Não é por acaso que no filme, a Morte se disfarça de padre. Também não é por acaso que gosto muito do filme. Além de jogar Xadrez, acredito que muitos aspectos continuamos vivendo numa Idade Média intelectual, com tanto misticismo à solta. 1000 anos de Ciência e continuamos vivendo com os mesmos medos do ano 1000. Como o cavaleiro errante, somos poucos a nos dar conta da insensatez do mundo. Mas precisamos de boas estratégias para não perder a partida antes do tempo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116342539867117771?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116342539867117771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116342539867117771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116342539867117771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116342539867117771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/11/o-demnio-das-sete-da-manh.html' title='O demônio das sete da manhã'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116860514911656135</id><published>2006-11-12T10:27:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T08:43:32.521-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Do moderno e do eterno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/1600/525532/beethoven_takacs.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 191px; height: 191px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/320/990699/beethoven_takacs.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Beethoven, Quarteto de cordas opus 131&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quarteto Takacs (Decca)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de todos os quartetos...A influência decisiva sobre Bartok, Boulez e Boucourechliev&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;..&lt;/span&gt;Uma música que parece vir de uma dimensão distante das categorias tradicionais de classicismo, romantismo e modernismo. Um quarteto com sete movimentos, sendo o corpo central um movimento de tema e variações de quase 15 minutos. Uma análise mais detalhada mostra o quanto Beethoven inovou. Na realidade, o opus 131 é quase um meta-quarteto. Ao invés de começar com um movimento em forma-sonata, que estabelece o tema principal do quarteto, como fizeram Mozart e Haydn antes dele (e tantos outros depois), Beethoven deixa este movimento para o final. E constrói uma estrutura na qual os temas convergem para o final. Ao invés de um final leve, rápido, como é de praxe em Haydn, Beethoven inverte nossas expectativas. Esta virada genial é um experimento vitorioso de Beethoven. Não é absurdo imaginar que, sem o desafio do quarteto 131, compositores contemporâneos como Luigi Nono e Henri Duttileux não teriam a mesma motivação para escrever excelentes quartetos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116860514911656135?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116860514911656135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116860514911656135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860514911656135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860514911656135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/11/do-moderno-e-do-eterno.html' title='Do moderno e do eterno'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116860467804700096</id><published>2006-11-02T09:23:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:46:58.400-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Boulez: O mestre dos martelos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pierre Boulez: Sur Incises (Ensemble Intercontemporain)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Controverso mas sempre inovador, Pierre Boulez é talvez a figura central da música contemporânea neste início de século. Em sua peça "Le Marteau sans Maitre" nos anos 50, Boulez rompeu com o serialismo e adota uma forma de composição radicalmente nova, onde busca resgatar a herança da polifonia vocal da Renascença. O resultado é incrivelmente agradavel. Não por acaso Boulez sofreu severas críticas de Luigi Nono que o acusou de usar um pensamento sofisticado para seduzir um público que, no entender de Nono, deveria ser desafiado com o canto da revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sur Incises", obra de 1998, é uma das melhores expressões musicais do pensamento de Boulez. A obra utiliza três pianos, três harpas e três instrumentos de percurssão. Na prática, os três pianos desenham seis fluxos musicais distintos, que oscilam entre um ritmo alucinante e passagens de grande delicadeza. As harpas e as percussões completam as figuras ritmicas e as texturas da obra. Os tres pianos são usados como instrumentos percussivos, onde os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;martelattos&lt;/span&gt; nos pianos sao ecoados pelas harpas e percussoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso do piano como um instrumento de percussão tem muitos antecedentes. O mais notavel é Bartok, em sua "Sonata para Dois Pianos e Percussão". A comparacao da sonata de Bartok com Sur Incises mostra que o mesmo elã criativo (os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arpeggios&lt;/span&gt; dos pianos em contraste às percussões) gera resultados bem diversos. Enquanto Bartok estabelece uma linha continua desde o começo da obra, onde o encadeamento dos eventos está a serviço de uma macroconcepção, Boulez parece se divertir em nos confundir. A cada instante, "Sur Incises" nos traz uma surpresa sonora. Um mesmo motivo motivo musical aparece e desaparece, sem outra lógica que não um encadeamento com a ação anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Un development intérieur dont le parcours n'est pas prévisible". Este ideal de Boulez é plenamente realizado em Sur Incises, onde o cada som decorre naturalmente do som no instante anterior e é ao mesmo tempo inesperado. "Sur Incises" é o coroamento de uma vida de um inventor radical e uma prova que é possível compor musica inovadora e sedutora ao mesmo tempo. Salut, maitre Boulez!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116860467804700096?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116860467804700096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116860467804700096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860467804700096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860467804700096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/11/boulez-o-mestre-dos-martelos.html' title='Boulez: O mestre dos martelos'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116084221999536039</id><published>2006-10-14T12:35:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:47:31.286-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='computação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Computação não-antropomórfica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/1600/haskellwiki_logo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/320/haskellwiki_logo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Why can't a woman be more like a man?&lt;/span&gt;" foi o grito desesperado do professor Higgins para a vendedora de flores Eliza Doolittle em "My Fair Lady".  Este grito é ecoado todos os dias por programadores de computador, que teimam em querer que uma máquina de processar informação binária funcione da mesma forma que nosso cérebro analógico e relacional. Esta tentação é ainda mais forte com o uso das técnicas de programação orientadas-a-objeto, hoje praticadas por nove entre dez programadores. Os conceitos são aparentemente simples e intuitivos. Trabalhando com sistemas de folha de pagamento? Crie uma classe "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;trabalhador&lt;/span&gt;", outra "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;salário&lt;/span&gt;", e por aí vamos. O problema é que os conceitos não são universais. Pelo contrário, acaba-se traduzindo uma visão de mundo particular para um código que assim se torna de difícil manutenção por outros. Basta lembrar o tempo que se leva para explicar um modelo de dados orientado-a-objeto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    A raiz do problema está no descasamento semântico entre o computador e o cérebro. Quando tentamos fazer o computador trabalhar como o cérebro, criamos soluções parciais e limitadas. A saída é tomar o computador pelo que ele é: um processador de ações e operações. Expressar o problema em termos de tipos abstratos de dados e expressar funções de forma mais genérica possível. Trabalhar com álgebras e não com classes que multiplicam código sem necessidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Como o eventual internauta deve ter deduzido, este blogueiro detesta Java e similares. Nos anos recentes, tenho procurado enfatizar soluções menos antropomórficas e mais computacionais. Algumas tento até traduzir num &lt;a href="http://www.dpi.inpe.br/cursos/cap365/"&gt;curso de pós-graduação&lt;/a&gt;. Minha missão atual é convencer os gentios a aprender uma linguagem de computação de verdade: &lt;a href="http://www.haskell.org/"&gt;Haskell&lt;/a&gt;. Apesar de algumas limitações de notação, é a linguagem mais adequada hoje para quem quer escrever código rigoroso, testável e com boa manutenção. Haskell ainda tem uma boa forma de integrar-se com outros ambientes, o que permite seu uso em casos reais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Se tentássemos parar de fazer com que os computadores sejam iguais a nós, e respeitar sua estrutura e suas formas de cálculo, prestaríamos um serviço à humanidade. Faríamos mais Ciência de Computação e menos Magia de Computação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116084221999536039?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116084221999536039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116084221999536039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116084221999536039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116084221999536039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/10/computao-no-antropomrfica.html' title='Computação não-antropomórfica'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116843759517967696</id><published>2006-10-14T10:58:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:47:57.067-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O universo etéreo dos quartetos de Bartók</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/1600/479317/bartok_takacs.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 182px; height: 182px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/320/365383/bartok_takacs.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bartók: Quartetos de Cordas, Quarteto Takács (Decca)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das formas tradicionais da música clássica, o quarteto de cordas é a única que permanece um desafio para os compositores. Enquanto sinfonias e concertos hoje tem poucos adeptos nos compositores contemporâneos, escrever um quarteto de cordas continua a ser um desafio para autores como Boulez, Carter, Dutilleux, Ligeti, Rihm, Scelsi, e Xenakis. Para que o quarteto continue a ser um genêro tão praticado no século XXI quanto o foi no século XIX, a contribuição-chave sem dúvida foi a de Béla Bartók. Seus quartetos de cordas representam uma completa renovação. Bartók construiu um universo totalmente particular, capaz de levar a mente do ouvinte para passeios interestelares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouçam o quarteto no. 5. O segundo movimento ("Adagio molto") é uma música lunar, descarnada, etérea. Uma introdução em que o cello sustenta uma viagem feita pelos violinos. Quando menos se espera, estamos flutuando numa outra dimensão, levados por sons inesperados. O violino leva a tensão quase insustentável (como na "Grande Fuga" de Beethoven). A resposta do cello e da viola é uma corda que nos traz de volta à Terra. Como Bartók consegue isto? O segredo de todo grande artista é permitir diferentes interpretações, mas há a visão predominante é que a apropriação da música folclórica da Europa Central permitiu a Bartók libertar-se das harmonias tradicionais da música bem-comportada, mas manter seus quartetos no limiar da compreensão por mortais comuns. O quarteto no. 5 tem cinco movimentos simétricos (allegro-adagio-scherzo-andante-allegro) onde a inspiração folclórica é mais evidente no movimento central ("Scherzo alla bulgarese") e no quinto movimento. Após momentos de extrema tensão, o último movimento é quase um rondó clássico onde às vezes recuperamos um pouco da estética de Beethoven (op. 131). Embora Bartók não deixe de produzir sons inovadores, a introdução de um tema folclórico no meio do movimento representa uma pausa necessária para o ouvinte depois de tanta tensão. O efeito final é de uma viagem por luas inexploradas, que nos traz de volta à Terra e nos deixa desconcertados de tanta criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpretação do quarteto Takács, das que conheço (Emerson, Vegh, Linsday, Budapest) é de longe a melhor. Ela mantém o caráter cigano de Bartók, com as ênfases nas horas certas e uma articulação impecável. É preciso estar inteiramente disponível para esta música. Para mim, a melhor experiência foi ouvi-la no meio de uma trilha em Campos do Jordão, depois de jogar muita endofina no cérebro em uma longa subida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116843759517967696?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116843759517967696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116843759517967696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116843759517967696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116843759517967696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/10/o-universo-etreo-dos-quartetos-de.html' title='O universo etéreo dos quartetos de Bartók'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116860459329817500</id><published>2006-10-14T09:21:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:48:24.195-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Xenakis: Pode a música estocástica soar agradável aos ouvidos?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_zluDberx42A/RfxH0I7CtcI/AAAAAAAAAA8/M22CXTbiulg/s1600-h/xenakis_pleiades.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 250px; height: 246px;" src="http://bp0.blogger.com/_zluDberx42A/RfxH0I7CtcI/AAAAAAAAAA8/M22CXTbiulg/s320/xenakis_pleiades.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042984643822007746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Xenakis: Pleiades, com Percussões de Estrasburgo (Harmonia Mundi)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música de Iannis Xenakis é única. Com uma formação básica em matemática, ele desenvolveu teorias sobre como aplicar métodos estocásticos na composição musical. Pléïades é uma composição para instrumentos de percussão onde Xenakis aplicou suas teorias com resultados supreendentes. Ele descreve a peça: "A única fonte para esta composição poliritmica é a idéia de periodicidade, repetição, duplicação, em cópias fiéis, pseudo-fiéis, infiéis...". A concepção de Xenakis é inusitada, mas "Pleiades" é uma peça maravilhosa que pode ser apreciada mesmo sem a percepção consciente das "nuvens, nebulosas e galáxias de batidas fragmentadas organizadas pelo ritmo (Xenakis)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciente da demanda em seus ouvintes, Xenakis arquitetou a peça em quatro partes: Metaux (for metais), Claviers (percussões de teclado), Peaux (tambores) e Melanges (misture). Cada parte engendra seu próprio mundo sonoro, mais orientado a timbres que a pulsos. Em Metaux, o timbre de cada instrumento é diferenciado por diferentes ritmos. Em Claviers, os instrumentos de teclado produzem sons líricos em ondas. Em Peaux, os tambores sustentam ritmos inusitados, bem diferentes de pulsações fixas típicas de tambores africanos. Mélanges, a parte final, mistura todos estes sons numa cornucópia sonora. Xenakis segue cada batida ritmica por uma batida ligeiramente diferente em duração e timbre. Isto cria uma impressão mais próxima de uma fuga para seis percussões do que uma versão européia de tambores africanos. As mudanças constantes de timbre acontecem de forma controlada, dada a concepção de "clusters de sons". A peça é ao mesmo tempo desafiadora e agradável ao ouvido, e ouvir "Pleiades" é descobrir novos horizontes musicais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116860459329817500?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116860459329817500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116860459329817500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860459329817500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860459329817500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/10/xenakis-pode-msica-estocstica-soar.html' title='Xenakis: Pode a música estocástica soar agradável aos ouvidos?'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_zluDberx42A/RfxH0I7CtcI/AAAAAAAAAA8/M22CXTbiulg/s72-c/xenakis_pleiades.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116069469604104657</id><published>2006-10-12T20:05:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:51:35.427-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Dialética da "Dialética do Iluminismo"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/1600/270px-DNA_Overview.png"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/320/270px-DNA_Overview.png" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um dos mais influentes livros de Filosofia do século XX é  "Dialética do Iluminismo", de  &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Horkheimer" title="Max Horkheimer"&gt;Max Horkheimer&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Theodor_W._Adorno" title="Theodor W. Adorno"&gt;Theodor W. Adorno&lt;/a&gt;. Sua tese central é que o projeto iluminista original foi um mito que levou a humanidade a um impasse, no qual a Ciência está a serviço da opressão. Ao invés de libertar os homens, nos trouxe o potencial de destruição em massa. O livro está na base da teoria crítica moderna, e serve de inspiração para um grande número de pesquisadores na área de Ciências Humanas. A escola de Frankfurt levou à chamada ciência "pós-moderna". Os pós-modernos denunciam os demais cientistas como "positivistas", e se vêem como capazes de construir uma visão transformadora da realidade.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Na ótica pós-moderna, a bomba atômica, a clonagem, os transgênicos, e as técnicas quantitativas em geral são portadoras de escravidão. Incapazes de promover a liberdade, igualdade e fraternidade, aprofudam a servidão e a distância entre ricos e pobres. O problema é que os pós-modernos se mostraram incapazes de construir uma nova ciência. Permanecem presos a abordagens descritivas mais típicas da Idade Média que do século XXI. Em sua recusa sistemática em aceitar o conceito de avanço do conhecimento, eles correm o risco de se excluirem do debate substantivo contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Há vários problemas no pós-modernismo e na teoria crítica em geral. Um deles é diretamente ligado ao tema deste blog: a incapacidade de distinguir entre as questões científicas e as apropriações tecnológicas. Sem a Ciência, como sair da Idade das Trevas em que vivemos? Somente a compreensão dos mecanismos básicos da vida e da evolução nos permite ter consciência do que somos enquanto humanos. Rejeitar a Ciência moderna e sua abordagem quantitativa, sua busca de leis e princípios universais, sua lógica antidogmática, é um risco que aqueles que buscam o conhecimento não podem correr. Já basta o resto da sociedade, construída na irracionalidade e no messianismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    A sociedade moderna ainda está muito longe de entender as consequências filósoficas, políticas e sociais das descobertas relacionadas à vida e ao universo nos últimos 50 anos. O impacto completo de Darwin, DNA, e da psicologia evolucionista ainda está por vir. É na hora de confrontar a Ciência que todos os fundamentalismos se unem. Do Papa ao Osama, neoconservadores e neomarxistas, todos se unem em defesa de um entendimento subjetivo da realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    No fundo, Merquior tinha razão quando disse que a escola de Frankfurt era suportada por um profundo irracionalismo, por uma recusa a aceitar a realidade com ela realmente era. Ainda bem que a maior parte dos cientistas praticantes ignora esta subjetividade e continua fiel aos ideais de Popper e ao projeto iluminista. Com todos os seus defeitos, é a única chance de futuro que temos. A melhor resposta a Adorno e Horkheimer é o DNA.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116069469604104657?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116069469604104657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116069469604104657' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116069469604104657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116069469604104657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/10/dialtica-da-dialtica-do-iluminismo.html' title='Dialética da &quot;Dialética do Iluminismo&quot;'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116069013000684521</id><published>2006-10-12T18:38:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:49:44.626-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Techne e Episteme</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/1600/Plato-raphael.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 176px; height: 187px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/320/Plato-raphael.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Grécia antiga, os processos de aquisição de conhecimento eram quase sempre separados da produção de artefatos. Os filósofos sobreviviam ensinando a juventude. Os engenheiros faziam navios e máquinas de guerra. Assim, os gregos  distinguiam os conceitos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Technê&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Episteme&lt;/span&gt;.  Technê se refere à capacidade de produzir um objeto por meios racionais. Muitos traduzem por artesanato ou arte. Mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;technê &lt;/span&gt;também está na raiz do que hoje chamamos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tecnologia.&lt;/span&gt; A idéia é que a construção de artefatos é uma arte criativa dos homens, e realiza-se através de uma combinação de conhecimento, prática e experimentação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Para os gregos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;episteme &lt;/span&gt;denota o conhecimento em estado puro. Hoje traduzimos por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ciência.&lt;/span&gt; Platão concebia os sólidos como entes perfeitos, e achava que as realizações humanas sempre seriam parciais e limitadas. Este contraste entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;technê &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;episteme &lt;/span&gt;está na base da moderna dicotomia entre Ciência e Tecnologia (acima: Platão como idealizado por Rafael). Ainda hoje, separamos a Ciência, ensinada nas universidades e praticada nos laboratórios de pesquisa, da Tecnologia, realizada nas empresas. A busca do conhecimento requer espíritos inquisidores, capazes de postular idéias que desafiam o senso comum (como Darwin e Einstein). A realização da tecnologia requer espíritos práticos, que trabalhem as minúcias e o detalhe para que nossas construções funcionem (como Edison e Linus Torvalds).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Os gregos já sabiam: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Technê &lt;/span&gt;é uma coisa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Episteme &lt;/span&gt;é outra. Este blog foi criado para explorar este contraste na sociedade contemporânea. A hipótese do blog é que a distinção estrutural entre as duas formas de apreensão da realidade está na raiz de muitas das contradições do mundo moderno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    A tecnologia é moldável, o conhecimento é libertador. É possível construir uma bomba atômica e permanecer aferrado a crenças religiosas. Mas não é possível aceitar plenamente a teoria de Darwin e permanecer preso ao obscurantismo religioso ou ao conservadorismo de direita e de esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116069013000684521?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116069013000684521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116069013000684521' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116069013000684521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116069013000684521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/10/techne-e-episteme.html' title='Techne e Episteme'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35929386.post-116860475026566846</id><published>2006-05-11T10:25:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T08:45:43.067-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O mestre Zen da música contemporânea</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_zluDberx42A/RfxDLI7CtbI/AAAAAAAAAA0/YkgQMq4Xa3w/s1600-h/cage_landscape.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 265px; height: 265px;" src="http://bp0.blogger.com/_zluDberx42A/RfxDLI7CtbI/AAAAAAAAAA0/YkgQMq4Xa3w/s320/cage_landscape.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042979541400860082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;John Cage, "In a Landscape"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Stephen Drury, piano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cage é talvez o mais incompreendido dos músicos contemporâneos. (In)famoso pela sua (não) música 4'33", Cage nada tem de provocador. Ele tem um rigoroso projeto musical de revolucionar nossa escuta, de nos provocar e de ampliar nossos horizontes sobre o que é música. "In a landscape" é um exemplo de música zen, que não parece ter começo ou fim, que fica circulando em nossa mente, e que nos leva a um estado de contemplação extática. Esta semana, estava voltando de Recife e numa viagem de 3 horas, Cage foi meu companheiro para me tirar do avião e levar-me às nuvens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35929386-116860475026566846?l=techne-episteme.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://techne-episteme.blogspot.com/feeds/116860475026566846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=35929386&amp;postID=116860475026566846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860475026566846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35929386/posts/default/116860475026566846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://techne-episteme.blogspot.com/2006/11/o-mestre-zen-da-msica-contempornea.html' title='O mestre Zen da música contemporânea'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_zluDberx42A/RfxDLI7CtbI/AAAAAAAAAA0/YkgQMq4Xa3w/s72-c/cage_landscape.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
